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09/02/2015

Convivência intra e interfamiliar

As relações familiares são especialmente complexas, capazes de determinar o futuro de pessoas, alterar a nossa percepção de felicidade. Os filhos ampliam o horizonte da vida do casal e aumentam a sua responsabilidade. A vida deles está na dependência do que os pais fazem com e por eles, mas, infelizmente, quando os filhos chegam vêm desacompanhados de qualquer “manual do fabricante.”, tal angústia pode explicar a oscilação de humor do poeta.

 

 

Filhos...Filhos?/Melhor não tê-los!/Mas se não os temos/Como sabê-lo?

Se não os temos/Que de consulta/Quanto silêncio/Como o queremos!
Banho de mar/Diz que é um porrete.../Cônjuge voa/Transpõe o espaço
Engole água/Fica salgada/Se iodifica/Depois, que boa
Que morenaço/Que a esposa fica!/Resultado: filho.
E então começa/A aporrinhação:/Cocô está branco
Cocô está preto/Bebe amoníaco/Comeu botão.
Filho? Filhos/Melhor não tê-los/Noites de insônia
Cãs prematuras/Prantos convulsos/Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo/Melhor não tê-los../Mas se não os temos
Como sabê-los?/Como saber/Que macieza
Nos seus cabelos/Que cheiro morno/Na sua carne
Que gosto doce/Na sua boca!/Chupam gilete
Bebem xampu/Ateiam fogo/No quarteirão
Porém, que coisa/Que coisa louca
Que coisa linda/Que os filhos são!

(POEMA ENJOADINHO de Vinícius de Morais)

 

Com certeza, a dinâmica das relações intra e interfamiliares afeta o desenvolvimento infantil exatamente naquilo que é o pilar de sustentação da sua personalidade – a autoestima, que se constitui na base da saúde emocional.

O que a criança sente em relação a si mesma afeta o seu modo de viver. Ela precisa sentir-se competente para lidar consigo mesma e com o ambiente que a cerca. Precisa sentir que tem alguma coisa para oferecer aos outros A criança aprende a ver a si mesma da mesma maneira que as pessoas importantes que a cercam a vêm. As experiências positivas com a vida e com o afeto determinam a autoestima e esta se expressará através do comportamento.

A criança constrói a sua autoimagem a partir das palavras, da linguagem corporal, das atitudes e dos julgamentos dos outros. Os adultos, em especial os pais, são espelhos para os filhos.

Se a criança se considera inadequada, esperará sempre pelo fracasso e agirá de acordo com essa expectativa. As defesas neuróticas são construídas em torno da convicção de que “Eu não sou amado e não tenho valor”. A segurança pessoal, ao contrário, dá a coragem e a energia para enfrentar as dificuldades e para agir com a esperança de vencer. Ninguém se atreverá a viver por sua conta e risco se não se amar a si mesmo, se carecer de confiança e de segurança em suas capacidades (valor).

As expectativas que os pais têm em relação ao filho provavelmente serão mais justas se forem baseadas no real desenvolvimento dele, evitando, assim, sentimentos de frustração e fracasso. A criança que percebe que não atingiu as expectativas dos pais tem grande chance de perder o respeito por si mesma.

A criança necessita sentir-se amada, ter a certeza que é importante. Amar exige paciência e tempo. A presença física, o ouvir ativo, com atenção, o olho no olho, o brincar juntos, são expressões de afeto insubstituíveis. A criança deve ser capaz de contar com os pais para ajudá-la, empática e afetuosamente, na satisfação de suas necessidades.

A relação entre filhos e pais tem que ser baseada na verdade, por isso, que as palavras que forem ditas para um filho(a) deve corresponder à linguagem corporal para que a criança tenha confiança no adulto.

A criança deve ser valorizada em suas conquistas e aquisições. Não se deve confundir o comportamento com a pessoa. É importante permitir que a criança seja “dona” de seus sentimentos, sem que se deixe de aceitá-la por isso. A individualidade da criança é respeitada quando o adulto não exige que ela tenha as mesmas reações e sentimentos. Os sentimentos reprimidos não desaparecem; eles agem contra a saúde física, emocional e intelectual, por isso a criança deve ser ajudada a expressar suas emoções.

A inteligência da criança deve ser estimulada, proporcionando-lhe: experiências ricas e inéditas, amplos contatos linguísticos, experiências bem–sucedidas na solução de problemas, e exemplos familiares e atitudes que valorizam o aprendizado e a independência.

           

 Dr. Fernando MF Oliveira - médico, coordenador de Programa de Residentes do Hospital Menino Jesus

 

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