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23/01/2015

As Leis de Murphy

"O paladar da criança pode ser influenciado grandemente pelo que a mãe come..."

Você já deve ter ouvido falar nelas. São tentativas de justificar algumas “coincidências”, ou alguns “azares”.  Tentam explicar o inexplicável, ou quem sabe, amenizar algum sentimento de culpa. A título de exemplo cito estas:

Lei da telefonia

Quando te ligam:

-          se você tem caneta, não tem papel.

-          se tiver papel, não tem caneta.

-          Se tiver ambos, ninguém liga.

-          Quando você ligar para um número de telefone errado, ele nunca estará ocupado.

Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.

Lei das filas e engarrafamentos

A fila ao lado sempre anda mais rapidamente

Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

Lei da gravidade

Quando um pão com manteiga cair das suas mãos no chão, sempre cairá com a face cheia de manteiga para baixo.

Estas “leis” abordam com bom humor, situações humanas que embaraçam, angustiam ou, no mínimo, nos deixam aborrecidos.  É uma maneira de rir para não chorar, ou eufemizar, abrandar, angústias, dilemas, situações que não compreendemos. O fato é que nós gostaríamos de ter o “mundo nas mãos”, e garantir que tudo tivesse uma explicação lógica, um curso previsível.  Não houvesse imprevistos, nem acidentes, nem tragédias. Todos nós gostaríamos de ter absoluto e total controle sobre a própria vida. A realidade, no entanto, nos garante que a “coisa” não é bem assim.

Se não podemos ter controle sobre tudo, por outro lado, podemos e devemos tentar diminuir o risco de imprevistos, exatamente, para que os mesmos ocorram com menor freqüência. A palavra, então, é prevenir.

Em questão de saúde esta é uma palavra mágica.

A saúde individual é muito dependente do que fazemos por ela, do investimento que nela fazemos. A saúde se constrói no dia a dia, assim, uma boa velhice, significa, por exemplo, uma meninice saudável. O melhor tempo para se cuidar do nosso envelhecimento é na infância. Faz sentido, uma vez, que começamos a morrer logo que nascemos.

A criação de hábitos saudáveis desde o momento do nascimento é fator primordial para uma boa saúde, é o alicerce da prevenção.

Um hábito se cria a partir do conhecimento. O conhecimento leva a ação. A repetição da ação estabelece um hábito. O hábito determina um comportamento. Os nossos comportamentos determinam, também, a nossa qualidade de vida.

Lembramos que é tarefa intransferível dos pais estabelecer padrões de comportamentos adequados para os filhos. Não espere que somente a escola, ou a Igreja, faça isso. “É em casa que se torce o pepino”, como diz o ditado popular.

A influência que uma mãe exerce sobre o seu filho começa a ser percebida já dentro do ambiente uterino, ou seja, enquanto o filho ainda é feto, em sua barriga. Os aspectos emocionais, a alimentação materna, as condições de saúde da gestante, são alguns dos fatores relevantes que interferem nessa dinâmica.

Alguns conhecimentos da medicina atual ajudam a demonstrar, em pequenas sutilezas, o grau, a diversidade e a importância dessa influência.

O paladar da criança pode ser influenciado grandemente pelo que a mãe come. Gostar de doce ou de sal pode ser repercussão da quantidade de sal ou doce que uma gestante ingeriu. O líquido amniótico expressa em seu interior a quantidade aumentada desses fatores, influenciando o futuro paladar da criança e do adulto.

Você pode estar, já na gestação da criança, determinando a profilaxia da obesidade, ou do diabetes, ou da hipertensão arterial do seu filho, quando adulto.

Uma alimentação adequada é fundamental para a saúde. Não é só “o peixe que morre pela boca”, o ser humano, também.

Alguns conceitos necessitam ser bem sedimentados:

·         O paladar pode ser estimulado, ou se preferir, se aprende a gostar dos alimentos. A frase: ”toda criança gosta de doce”, não é verdadeira.  Ela retrata um aspecto mais cultural que fisiológico. É bem provável que esse gostar de doce seja mais produto de uma oferta excessiva dada pelos pais que uma exigência, propriamente dita, do paladar da criança;

·         Esse aprendizado se inicia intra-útero e continua ao longo da vida;

·         Quando se oferece um alimento novo, a um lactente que está iniciando as primeiras experiências com frutas ou alimento salgado, é comum que ele recuse inicialmente, cuspa, faça até uma careta. Não pense que isso significa que ele definitivamente não gosta daquilo. Ele está experimentando. É um processo. Não desista e ofereça outras vezes. Em geral, ele acaba aceitando;

·         O paladar não é hereditário. Se você não gosta de jiló, não significa que seu filho também não goste;

·         O melhor estímulo para uma criança comer uma dieta balanceada é dado pelos pais, por isso, se você não come verduras ou legumes, por exemplo, você terá dificuldades de incutir esse hábito em seus filhos.

·         A hora da refeição, além de ser uma oportunidade de convívio familiar, necessita ser uma hora prazerosa, por isso, o ato de “forçar” a criança a comer não é um procedimento adequado;

·         Os alimentos não devem ser oferecidos na base da “barganha”. Exemplo: “se você comer, eu te levo no parquinho”. Nem associados, a valores de julgamento. Exemplo: “coma tudo filhinho, assim, você será o nenê lindo da mamãe!” Nesta frase, se induz a criança a pensar que comer, e comer muito, é o que determina que venha a ser querida pela mãe. É uma frase indutora de um comportamento alimentar errado, incentivando a obesidade. Na primeira frase, por outro lado, se associa comida com a possibilidade de obter o que se deseja, induzindo, por exemplo, a compulsão pela comida;

·         A visão e o paladar estão intimamente ligados, interferindo um no outro de maneira absoluta, por isso, a expressão: “Só de ver dá água na boca”, expressa com exatidão essa verdade. Por esse motivo, o visual de um prato é um fator importante para cativar ou desestimular o apetite de uma criança. Pratos enfeitados e coloridos cativam. Pratos muito cheios, ou que espalham a comida por toda a superfície do mesmo, espantam.  Neste último exemplo, o que explica esse afastamento, é a sensação que a criança tem de que vai demorar muito para comer toda aquela comida, ou seja, vai roubar-lhe um tempo precioso – o tempo de brincar.

 

 Dr. Fernando MF Oliveira - coordenador do programa de residência médica no Hospital Menino Jesus 

 

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